É a Hora do Chá!

Time After Time

Tentativa de escrever um romance. Não ficou muito legal (já recebi algumas críticas especiais, rs), mas acho que valeu a intenção.

Time After Time


Estava com uma dose de whisky em mãos na cozinha americana do seu apartamento quando a viu: vestia uma calça jeans, uma blusa roxa com mangas longas e um sapato de salto alto preto. Os cabelos castanhos longos iam até a cintura. E é claro, o velho sobretudo branco. Aquele velho sobretudo que sempre encantara-o. Sorriu de leve quando ela se aproximou.

- Oi. - ela deu um beijo de leve nos seus lábios e ele correspondeu prontamente. - Tudo bem? Você parece tenso.

- Um pouco. Mas deixa isso pra lá. E você? - perguntou enquanto ela jogava a bolsa em qualquer canto da sala.

- O normal. Estresse, entregar relatório, sabe como é… - ela deu um sorriso tímido.

Ele fitou-a intensamente, ainda surpreso como agora, depois de anos, estavam juntos. Era uma sensação estranha e gostosa, mas reconfortante. Ela ainda não havia se acostumado com a intimidade daquela relação, mas ele daria tempo ao tempo. Quando se tratava de Alice, tudo tinha seu tempo.

- Vi algo hoje que achei que gostaria. Cinema antigo.

Os olhos dela brilharam intensamente a simples menção. Ele sorriu de lado ao ver o brilho presente nos olhos de Alice. Antes mesmo que ela perguntasse, ele respondeu:

- “It Happened in Brooklyn”.

- Cinema ou DVD? - perguntou ela, indo em direção ao banheiro.

- DVD. E eu comprei.

Ela voltou pra sala na mesma hora. Ele quase riu da cena que presenciou, mas manteve o sorriso leve.

- John! Cadê? Podemos assistir agora?

- Pensei que alguém fosse tomar banho… - zombou ele. Alice revirou os olhos e o encarou impaciente. - Relaxe, Al. Enquanto você toma banho vou preparando nosso jantar e aí assistimos o filme, o que acha? - ele sorriu de lado, aquele lindo sorriso torto e charmoso que dava a ela e somente a ela, desde que se conheceram.

Alice mordeu o lábio inferior de leve e se aproximou de John, colocando os braços no pescoço dele. Roçou de leve os lábios nos de John, provocando-o e murmurou roucamente:

- Eu topo. - e tentou se afastar dele, mas John segurou seu pulso firmemente e a puxou de volta. - John…

Ele não deixou Alice completar a frase. Beijou-lhe imediatamente e de uma forma necessitada, mordiscando o lábio inferior de Alice, enquanto esta enroscava os dedos de forma brusca no cabelo de John. Alice já sentia a necessidade de pedir mais quando John parou de beijá-la bruscamente.

- Hã?

- Você já devia saber que não deve me provocar, Al. Apenas devolvi. - John deu seu maior sorriso safado e se afastou em direção à cozinha. Ele ainda escutou um murmúrio de frustração vindo de Alice: “O que eu não faço por filmes antigos!” e riu de leve.

-x-x-

Os dois terminaram o jantar e sentaram-se no sofá, cada um segurando uma taça de vinho tinto. John abraçou Alice de lado, enquanto esta repousava a cabeça no ombro dele e deram play no filme.

Era uma paixão dela, filmes antigos, tanto os em preto e branco da época de Chaplin quanto os musicais por volta dos anos 40. E é claro, filmes noir, esse último sendo uma paixão dele também. Era tudo tão prático, com todo aquele ar de Chicago.

Em uma das cenas do filme Alice começou a murmurar baixinho uma das músicas. Ele parou de assistir o filme e ficou a observá-la: os cabelos castanhos descendo feito uma cascata nas costas, os olhos parecendo de uma menina que ganhou um presente de Natal antecipado. Os lábios rosados naturalmente, murmurando a canção de leve. E embalado por ela, começou a murmurar a mesma canção, a velha “Time After Time”. Alice tirou os olhos da tela e fitou John cantar junto com ela. Era estranhamente delicioso vê-lo tão relaxado e ali, com ela.

John parou de cantar e levantou-se do sofá. Alice o encarou temerosa, pensando que não devia tê-lo encarado, até que John a puxou do sofá, pegou o controle remoto e fez a cena do filme voltar. E então quando Frank Sinatra começou a cantar, puxou Alice para dançar com ele e esta, surpresa, acompanhou prontamente, voltando a murmurar a letra.

What good are words I say to you?

(De que valem as palavras que te digo?)

They can’t convey to you what’s in my heart

(Elas não te conduzem o que tenho dentro de mim)

If you could hear instead

(Se você pudesse ouvi-las )

The things I’ve left unsaid

(As coisas que deixei de dizer)

Os dois começaram a dançar lentamente, Alice apoiando a cabeça no peito de John, enquanto ele segurava uma das mãos dela e a outra apoiava nas costas. John depositou um beijo de leve na cabeça de Alice e esta riu, atrapalhando-se com a letra da música.

- Você me fez errar. - reclamou Alice. John ignorou o comentário dela e ele mesmo começou a cantar a música.

Time after time

(Continuamente)

I tell myself that I’m

(Eu digo a mim mesmo que eu tenho)

So lucky to be loving you

(Muita sorte em amar você)

Só então ambos perceberam o quão aquela música se aplicava a eles. Era estranho, como se fosse uma epifania. Alice procurou os olhos de John e em nenhum momento ele desviou dos dela. Pelo contrário, a fitou intensamente e repousou um beijo de leve no rosto da amada. Ele girou Alice, fazendo-a ficar de costas pra ele, enquanto ele abraçava sua cintura e mantinha o ritmo da música.

So lucky to be

(Muita sorte em ser)

The one you run to see

(A quem você corre pra ver)

In the evening, when the day is through

(De noite, quando o dia se acaba)

Alice começou a cantar de verdade, revelando a bela voz que possuía. Os dois ficaram dançando, aproveitando o toque da música. E quando voltaram a cantar, Alice apertou de leve as mãos de John. E ela girou nos braços de John e colocou as mãos em cada lado da face dele.

I only know what I know

(Eu só sei o que eu sei)

The passing years will show

(Os anos que passam dirão )

You’ve kept my love so young, so new

(Você manteve meu amor tão jovem, tão novo)

John fez menção de falar algo, mas Alice o impediu, depositando um dedo nos lábios carnudos dele. Os olhos extremamente verdes de John brilhavam, esperando o resto da letra (que ele conhecia por completo).

And time after time

(E continuamente )

You’ll hear me say that I’m


(Você me ouvirá dizendo que)

So lucky to be loving you

(Tenho muita sorte em te amar)

E ela sorriu abertamente, passando a mão pela nuca dele e prendendo os dedos nos cabelos negros de John. Este, por sua vez, interrompeu o balançar em que estavam e a beijou intensamente, mais do que havia beijado naquele dia. Queria provar para Alice que a amava e que amaria sempre, mesmo que ela não acreditasse em sempre. Puxou-a pra perto, colocando uma mão nas costas e a outra em seus cabelos. Ainda podia ouvir Frank Sinatra repetindo o refrão pela última vez e se afastou de Alice para buscar por ar e para dizer-lhe algo.

- You’ll hear me say that I’m so lucky to be loving you, too. - Alice sentiu os olhos marejar e beijou John de volta, atirando-se ao pescoço dele.

Este, por sua vez, mordeu de leve os lábios da morena, arrancando um suspiro dela. Enquanto beijavam-se, sabe-se como, John pegou o controle e desligou a TV e encaminharam-se para o quarto dele, afim de perderem-se um no outro, de fazerem juras de amor, de se amarem.

Postado em 15/02/2012 @ 20:26
#contos#chá#time after time#music#it happened in brooklyn


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